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28 août 2010

LA BOITE DE PANDORE -
A CAIXA DE PANDORA



Quand je recherchais des expressions françaises pour cet ancien billet
je suis tombée sur celle-ci 
(qui est identique en portugais ):
"La boîte de Pandore"
Elle signifie :
Sous un aspect d' innocence ou de beauté, c'est la source des ennuis,
l'origine de malheurs et de calamités.
Cela m'a donné l'envie de vous remémorer l'histoire de cette boîte [1].



Quando eu procurava expressões francesas para esta postagem antiga
encontrei esta expressão
(que é idêntica em português):
"A caixa de Pandora" 
Significa :
Sob uma aparente inocência ou beleza, é uma fonte de problemas, 
é a origem de males e calamidades.
Fiquei então com vontade de vos lembrar a história desta caixa [1].

Selon la mythologie grecque, les deux frères Prométhée et Epiméthée, qui étaient des Titans, furent chargés par Zeus de créer les hommes. Mais Prométhée, ému par la nudité de ses créatures, vola le feu aux dieux, apprit aux hommes à s'en servir et s'installa parmi eux.
Zeus, mécontent, jura de se venger de Prométhée. Il demanda alors à Héphaïstos de créer un être identique à une déesse (et qui deviendra donc la première femme), qui reçut  les attributs de la grâce, la beauté, la persuasion, l'intelligence, la patience , la douceur, l'habilité dans la danse et dans les travaux manuels. Mais Hermès ajouta aussi d'autres traits de caractère comme la ruse, le mensonge et il ajouta une curiosité sans bornes.
Pandore fut alors envoyée chez les deux Titans, munie d'un beau récipient (ou jarre ou boîte, selon les versions) offert par Zeus à destination de son futur époux et renfermant un paquet de maux parmi lesquelles on trouvait la vieillesse, la maladie, le chagrin, la folie, le vice et la famine, tous inconnus des Hommes. Ce récipient contenait également un petit bonus d'une autre catégorie, l'espérance.
Malgré les nombreuses réticences de Prométhée, Epiméthée se laissa subjuguer et épousa  Pandore qui avait reçu l'interdiction absolue d'ouvrir le récipient.
Mais son insatiable curiosité fût plus forte et elle profita un jour de l'absence d'Epiméthée pour ouvrir la boîte. Tous les maux s'en échappèrent et ils se répandirent sur l'humanité.
Au fond de la boîte, il ne restait plus que l'espérance qui finit aussi par sortir, et heureusement, car sans elle l'Homme aurait bien du mal à supporter tout le reste.
Il existe quelques petites variantes de cette histoire un peu misogyne mais n'oublions pas que l'Histoire a été écrite par des hommes.....
 On peut faire aussi faire un certain  parallèle avec Eve, la croqueuse de pommes qui a causé l'expulsion de l'Homme du Paradis et a du apprendre à subir tout ce qui s'est échappé de la boîte de Pandore.
La mentalité polythéiste considère que Pandore a donné à l'homme la possibilité de se perfectionner par des épreuves et de l'adversité et ce, grâce à l'espérance. 
Dans la philosopie paienne, Pandore n'est pas seulement la source du mal mais aussi celle de la force, de la dignité et de la beauté car sans l'adversité, l'être humain ne pourrait s'améliorer.

Comme toutes les femmes, je suis curieuse, mais je dois reconnaître que je ne suis absolumment pas indiscrète.  Je pense qu'il y a une grande différence entre les 2 traits de caractère, la curiosité pouvant être considérée comme une qualité et l'indiscrétion comme un défaut.  
Quant à l'espérance, vous savez tous que je l'apprécie énormément...



Segundo a Mitologia grega, os dois irmãos Prometeu e Epimeteu, que eram Titãs, receberam a tarefa de Zeus de criar o homem. O Prometeu com pena da nudez destas criaturas roubou o fogo aos deuses, ensinou-os a utilizá-lo e instalou-se no meio deles. 
Zeus, zangado, jurou-se de vingar-se de Prometeu.  Pediu então ao  Hefesto para criar um ser idêntica a uma deusa (e que se tornará a primeira mulher) que recebeu os atributos de graça, de beleza, de persuasão, de inteligência, de paciência, de meiguice, de habilidade na dança e nos trabalhos manuais. Mas o Hermes adicionou outros traços de carácter como a astúcia, a mentira e uma curiosidade sem limites. A Pandora foi então enviada aos 2 Titãs acompanhada dum bonito recipiente (ânfora ou caixa , segundo as versões) oferecido pelo Zeus para o seu futuro esposo e que continha um conjunto de males tais como a velhice, a doença, o desgosto, a loucura, o vício e a fome, todos desconhecidos dos Homens. Este recipiente também continha um pequeno bónus duma outra categoria, a esperança. Apesar das numerosas relutâncias do Prometeu, Epimeteu deixou-se subjugar e casou com a Pandora que tinha recebido a proibição absoluta de abrir o recipiente. Mas a sua insaciável curiosidade foi mais forte e aproveitou um dia a ausência do Epimeteu para abrir a caixa.  Todos os males escaparam-se dela e espalharam-se sobre a humanidade. No fundo da caixa, só ficou a esperança que acabou por sair também e felizmente, porque sem ela o Homem teria muita dificuldade em suportar todo o resto.
Existem algumas variantes desta história um pouco machista mas não podemos esquecer que a História foi escrita por homens...
Também pode ser feito um certo paralelo com a Eva, a comedora da maça que causou a expulsão do Homem do Paraíso  e que teve que aprender a sofrer tudo o que se escapou da caixa de Pandora.
A mentalidade politeísta considera que a Pandora deu ao homem a possibilidade de se aperfeiçoar através das provas e da adversidade e isto, através da esperança. 
Na filosofia pagã, Pandora não é só a fonte do mal mas também é a fonte da força, da dignidade e da beleza  porque, sem adversidade o ser humano não poderia melhorar.

Como todas a mulheres, sou curiosa mas tenho que reconhecer que não sou de todo indiscreta.  Penso que existe uma grande diferença entre os 2 traços de carácter, a curiosidade podendo ser considerada como uma qualidade e a indiscrição como um defeito.
Quanto à esperança, todos sabem como eu a prezo...


[1] Mesdames, ne m'en voulez pas ! Ce n'est pas moi qui ai inventé cette histoire, elle fait partie de la Mythologie...
[1]Minhas Senhoras, não me levem a mal ! Esta história não foi inventada por mim, faz parte da Mitologia... 

07 février 2010

AUTOBIOGRAFIA DE ROSA LOBATO FARIA

Recebi este artigo por email e fiquei encantada com as palavras da Rosa Lobato Faria.
Perdemos uma grande Senhora.
Repouse em paz, Rosa.  Não serás esquecida, nunca.

foto internet
 
(in Jornal de letras)
"Morreu Rosa Lobato Faria

A escritora, letrista e actriz Rosa Lobato Faria, morreu hoje, dia 2, aos 77 anos, depois de uma semana de internamento num hospital privado. Foi colaboradora (dizendo poesias) de David Mourão-Ferreira em programas literários da televisão. Autora, entre outros, dos romances Flor do Sal, A Trança de Inês, Romance de Cordélia, O Prenúncio das Águas, ou mais recentemente A Estrela de Gonçalo Enes (ed. Quasi). Publicamos aqui a 'autobiografia' que escreveu para o JL há dois anos.

Autobiografia

Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.

Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.

E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).

Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.

Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.

Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.

Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).

Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.

Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.

Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).

Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.

Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.

Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.

Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance."

09 novembre 2009

UNE LEÇON D'HISTOIRE
UMA LIÇÃO DE HISTÓRIA

Faites circuler votre souris sur les divers personnages et cliquez sur celui qui vous intéresse, vous saurez un peu plus sur lui car vous rentrerez sur le site Wikipedia. Il vous suffit ensuite de changer la langue. C'est un magnifique travail !

Coloquem o seu rato a circular nos diversos personagens e a seguir cliquem sobre aquele que lhes interessa, saberão um pouco mais sobre a pessoa porque vão entrar num link da Wikipedia.  Basta mudar a língua.  É um trabalho magnífico ! 



Famous People Painting - Discussing the Divine Comedy with Dante

Discussing the Divine Comedy with Dante