28 janvier 2009

O FIM ÚLTIMO DA VIDA



O fim último da vida não é a excelência ! O país, o mundo está em crise, vamos voltar a dar valor às coisas essências, vamos tirar uma lição deste texto ?


"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.

Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.

Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.

Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe : jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis
e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.

Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas :
a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.

É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja amamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro : quanto mais temos, mais queremos.
Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. ·Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

O autor deste texto é João Pereira Coutinho, jornalista.

26 commentaires:

sagitario a dit…

olá verdinha.
que belo texto, realmente se estamos em crise, é só para alguns, pois para a maioria a crise sempre fez parte da sua vida e nem por isso deixaram de lutar para ter uma vida melhor, talvez por isso valorizem mais certos aspectos e sejam mais felizes.
O meu blog teve uma fada madrinha que me ensinou a melhorá-la e eu aprendi com todo o gosto e os resultados estão cá.
um abraço de carinho e amizade

Nilson Barcelli a dit…

Um texto que nos faz pensar...
Não sei qual é o fim último da vida, mas o que sei é que devemos vivê-la o mais felizes possível.
Beijo.

:.tossan® a dit…

Linda postagem! Bj

Je suis
le errant
je suis
la mer
bolero
suis ego
suis baiser

*tossan*

Paula Raposo a dit…

João Pereira Coutinho é culto e inteligente. O que falta na maioria...muitos beijos e obrigada pela partilha de um dos melhores!! Beijos.

Luna a dit…

Hoje em dia parece que se vê o ser humano como uma maquina de produção
continua, tudo igual preparado para a competição, para subir nem que tenha de pisar, e depois cada vez mais os valores estão a ser pedidos
beijinhos

Sininho a dit…

oi..é verdade..vivemos num mundo ..onde tudo está planeado ..onde nunca estamos contentes com o que temos..é pena..

jinhos

Maria Clarinda a dit…

Olá Verdinha!!!!!!E com escolheste tão bem o texto!!!!Estou a milhentos por cento com o autor do mesmo!
Bela , belíssima a tua fotografia.
Jinhos muitos.

Elsa D. a dit…

Um abraço forte para ti Verdinha

Rita Galante a dit…

Minha querida Verdinha!

Como tem razão o jornalista autor deste texto. Não seria má ideia se este texto fosse distribuido nas maternidades para abrir os olhos das futuras mamãs ou mesmo nas creches e jardins de infância. Talvez alguns pais não fizessem o mesmo que muitos fazem às crianças que os escolheram como família!

Beijinhos de Amor e Luz!

Riscos e Rabiscos a dit…

Não pretendendo ser polémica nem do contra, creio que o texto, em parte, transmite uma mensagem algo negativa e pessimista, uma visão demasiado angustiante do ser humano num futuro próximo. Mas vale pelo alerta que contém, pela chamada de atenção para os valores, e sem qualquer dúvida, para o fim último do ser humano, que é ser feliz. No entanto, uma tónica de positivismo é necessária nas sociedades, para que a humanidade não perca a esperança e prossiga na construção de um mundo no qual as pessoas busquem a realização a vários níveis, o equilíbrio e a felicidade. E com esta nota optimista termino... convicta de que cabe a cada um de nós uma quota parte da tarefa em busca de uma vida assente em valores e não em "pistas de atletismo".
Talvez o jornalista pretendesse suscitar o debate... ou talvez estivesse num dia particularmente nebuloso e passou para o papel esse estado de espírito...(especulo). Na verdade, há 100 ou 200 anos a mulher estava em casa a cuidar do seu pelouro doméstico e familiar, não tinha havido ainda a industrialização, a escolaridade não era obrigatória pelo que as crianças permaneciam em casa ou com as perceptoras (as famílias abastadas), para além de haver o conceito de família alargada, que ajudava na 'guarda' das crianças. Há há umas décadas que a família se tem vindo a tornar nuclear. As mães trabalham, os seus vencimentos são imprescindíveis ao orçamento familiar, as avós também têm a sua profissão/carreira. Outro aspecto a ponderar é a longevidade que aumentou, porque a medicina tem mais conhecimentos para prolongar a vida, operar, transladar, substituir este e aquele orgão, ou seja, a idade de reforma nas mulheres tb avançou em consequência de, logo, quer as mães quer as avós trabalham até idade mais avançada, e como tal, há que providenciar para que as crianças estejam acompanhadas. Vai daí, e temos a natação, os tempos livres, etc, etc, etc. Não porque sejam "potros de competição", mas pelo circunstancialismo que referi: já não há família alargada, mãe doméstica, avó doméstica. E também porque é impensável hoje ter apenas os cuidados de "guarda" para com as crianças. O tempo de crescimento deve ser um tempo de qualidade, de evolução, de aprendizagens, para além do lúdico, obviamente.
Ena.... pus-me a escrever e .... txxxiiiiii, exagerei, peço desculpa! :-|
Felicidades para todos vós/nós, especialmente para a autora do blog! Excedi-me... mas de facto o tema merece ser analisado à luz de muitas perspectivas. Esta é uma, a minha.

Kim a dit…

Olá Verdinha!
Este é um tema verdadeiramente actual e digno dum "Prós e Contras".
Beijinhos

Violeta a dit…

Muito bonito este post. E sim, o fim último, o propósito da nossa vida é a felicidade...

Bípede Implume a dit…

Uma análise muito lúcida, infelizmente. Há,de facto, uma crise de valores muito grande. As prioridades são uma enorme confusão. Quem sabe esta crise irá dar uma certa ordem nas escolhas a fazer em busca da felicidade?
Também funciono muito melhor de manhã.
Não encontrei qualquer dificuldade em entrar no blog.
Beijinhos.
Isabel

Ana in UK a dit…

olá

Só mesmo para de deixar um beijionho, adorei as fotos do post, não tenho é tempo para ler o texto, isto de ir à televisão dá uma trabalheira!!!

Espreita em http:\\linguagembebe.blogspot.com
é o meu novo trabalho.
Quando tiver tempo cvejo aquilo do francês ok?

beijos

Anonyme a dit…

La dernière photo est vraiment superbe !
Merci pour ta visite ;o)
Hélas, je ne connais pas de recette de gaufre aux fruits... Peut-être en passant par google ?

Pena a dit…

Linda Amiga:
Um post sensível e extraordinário de análise do evoluir dos tempos modernos, em que temos tudo, mas tudo.
Os meninas e meninas deliciam-se com fartura aos encantos e sensações que lhe provocam interesses, desejos e ambições que tudo lhes concedem.
Actual. Pertinente. Autêntico.
Uma mensagem crítica de um valor imenso.
Noutros tempos não nasciamos assim num "berço de ouro".
Passavam-se dificuldades. Sofria-se com o "existir",o "sentir" e o "ser"...
Excelente, amiga!
Uma lição que sumarieei no Livro da Vida que trago comigo sempre.
Bem-Haja pela sua lucidez.
Beijinhos amigos.
Sempre a respeitá-la e a estimá-la

pena

Adorei, amiguinha!
Extraordinário.

Paulo a dit…

«mamar forte no Prozac.»

Infelizmente é assim.

Seeker a dit…

Um texto que realmente nos faz pensar muito e rever prioridades.

Querida tem um mimo para si no meu blog.
Posso não comentar, mas estou sempre "espiando" ;)

Beijos de sol

xoxo

Anonyme a dit…

Coucou Verdinha, c'est dommage que je ne comprenne rien au texte, j'ai essayé le traducteur, mais la traduction est lamentable, toutefois tes images sont très belles particulièrement la feuille avec ses goutelettes. Je vais répondre à ton commentaire sur mon blog, si tu veux le lire.
Bisous et bon WE chère Verdinha.
Marité

tapioca a dit…

estamos mesmo numa pista de atletismo ............... e nem sempre vence o melhor!
Beijinhos

ME a dit…

mon amie verdinha
O artigo está muito interessante. É caso para pensarmos, como foi possível tanto acontecer em tão pouco tempo, e o que mudou o mundo.
ex-titulaire

Safira a dit…

Não nutro especial simpatia por JPCoutinho mas reconheço-lhe muito mérito de clarividência traduzida neste texto. Penso nisto muitas vezes. Parece que cada vez mais se moldam crianças para responder às frustrações pessoais dos progenitores, ou para serem exibidas como 'fenómenos'. Diz-me Verdinha quantos pais modernos passam uma tarde a fazer crepes com os miudos, a rir quando não as conseguem apanhar na 'poelle' e tudo se estatela no chão? Os meus tempos mais felizes foram passados com o meu pai a ensinar-me a andar de bicicleta ou com a minha~mãe a deixar-me bater o bolo, apesar de mal chegar à mesa. As coisas simples, e por isso mais puras e belas, que se vão trocando por coisas muito elaboradas, para impressionar. E no fim, se formos a ver, temos cada vez mais, mas queremos cada vez mais. E somos cada vez mais infelizes...

Beijinhos verdes

tulipa a dit…

Para saber notícias da Tânia, eu digo a todas as pessoas para lerem diariamente as ultimas neste blog:

http://www.queridasnow.blogspot.com/

Obrigado pelo apoio e carinho.
Boa semana.

tulipa a dit…
Ce commentaire a été supprimé par un administrateur du blog.
Fá menor a dit…

Adorei ler este texto.
Ah! se as pessoas todas soubessem apreciar o essencial da vida! mas tudo nos empurra para procurarmos ser os maiores! que até nem é os melhores... mas ser maiores que os outros.
E no entanto fomos criados para sermos felizes... apenas felizes!

Muitos beijinhos

Fernando Vasconcelos a dit…

Por acaso este texto do JP Coutinho não é dele, ou melhor dizendo a ideia que ele transmite circulou num email pela net há uns tempos atrás. Não deixa por isso de merecer atenção muito embora não subscreva em absoluto. Na verdade a competição exacerbada nunca é positiva, há outros valores mais importantes que devem ser transmitidos às crianças sem dúvida. Mas não se deve confundir isso com mérito como faz JP coutinho. O mérito existe independetemente da competição, o mérito reside num comportamento integro e de respeito, o mérito pode estar na honra, no respeito pela palavra dada, no respeito pelo próximo, no dar a mão na tal pista de atletismo, no esperar pelo adversário porque ele caiu. O mérito não está forçosamente na vitória, o mérito nas palavras de Coubertin está na forma como participamos na corrida. Melhor a vitória apenas tem mérito se corrermos com honra. Nesse sentido acho que devemos precisamente ensinar ás nossas crianças a meritocracia.